segunda-feira, 31 de março de 2014
segunda-feira, 24 de março de 2014
Seminário Internacional Habitação Básica
Seminário Internacional Habitação Básica
10, 11 e 12 de Abri
// dia 12 Abril
// dia 11 Abril
Casa do Infante, Porto
9h / aberturaDr. Manuel Pizarro_ Vereador Pelouro Abitação e Acção Social, C.M.P.Prof. Berta Granja_ ISSSP/ LAHB SocialDocumentário ?Direito á habitação?,RTP, Porto, 1976
9h30 / ?Habitação Básica- políticas e programas para o séc. XXI?Arq. Alexandre Alves Costa, FAUPProf. Fernando Matos Rodrigues_ ESAP/LAHB SocialArq. Nuno Grande_ DARQ/FCTUC/ FAUPArq. Maria Vittoria Capitanucci_ Polimi MilanDr. Paulo Cunha e Silva_ Vereador Pelouro da Cultura, C.M.P.
13h / Almoço
15h / Introdução ao Workshop Habitação BásicaArq. André Fontes e António Jorge Fontes_ U. Minho/ BAS
15h15 / Visita ao local20h_ 00h00 / Workshop ?Habitação Básica?
Casa do Infante, Porto
9h30 / Workshop ?Habitação Básica?
13h Almoço
15h_ 20h / Workshop ?Habitação Básica?
20H30 / Jantar
22h / Apresentação dos trabalhos elaborados no Workshop
23h30 / EncerramentoDr. Manuel Correia Fernandes, Vereador Pelouro Urbanismo,CMP
CORDENADORES DE EQUIPAS:André Fontes (BAS/ UMinho)António Jorge Fontes (UMinho)João Carreira (ESAP)Nuno Grande (DARQ/FCTUC/ FAUP)José Carlos (atelier arq. Siza Vieira)Asbjorn Andresen (BAS)Fábio Filipe Azevedo (LAHB Social)Catarina Pires (LAHB Social)Ana Feijó (LAHB Social)Ana Almeida (LAHB Social)Tiago Antero Silva (DARQ/FCTUC)Eugénio Coimbra (ESAP/ UMinho)
CONSULTORES:Fernando Matos Rodrigues (ESAP/ LAHB Social/CICS U.M.) - Antropólogo do EspaçoJorge Vaz (ESAP)- arquitectoElena Tarsi ( UNESCO/ UFirenze)-arquitecta
Para mais informações não hesite em contactar-nos.Com os melhores Cumprimentos,LAHB Social_
// e-mail: lahb.social@isssp.pt// facebook: www.facebook/lahbsocial// site: www.basichousingworkshop.jux.com
sexta-feira, 21 de março de 2014
Programa Especial para a Regeneração das Ilhas do Porto. Deputados do Partido Socialista apresentam projecto de Resolução na Assembleia da República

Projeto de Resolução N.º …
/XII/1.ª
“Recomenda ao Governo a criação de um programa especial para a
regeneração das ilhas do Porto”
Os centros das
cidades estão hoje em desertificação, o que os torna geradores de vários
problemas. É necessário inverter este ciclo de degradação e tornar as cidades
competitivas, socialmente coesas e harmoniosa no que diz respeito ao
ordenamento do território.
Os centros
históricos apresentam-se com múltiplas limitações, que transcendem os aspetos
urbanísticos, e que desafia a promover transformações nos espaços funcionais de
modo a garantir habitações com o mínimo de qualidade para as pessoas que nelas
habitam ou venham a habitar.
Vencer este
desiderato só é possível se apostarmos na regeneração urbana no sentido de
valorizar o património e dar vida aos centros das cidades.
Neste contexto a
regeneração urbana é cada vez mais a grande aposta no futuro sustentável dos
centros históricos.
O
Porto, Património da humanidade, configura um território com características
específicas, entre as quais se inscreve a existência de ilhas, núcleos
habitacionais, que albergam mais de doze mil portuenses.
No
Porto, não é possível falar em Regeneração Urbana sem ter em consideração as
Ilhas, que são verdadeiros espaços de vivência e de resistência ao abandono do
centro da Cidade.
As
ilhas são uma parte importante da identidade do Porto e do seu património, são bolsa espalhadas
pela cidade, integradas no miolo urbano mais densificado, sobretudo na zona central
do Porto.
As ilhas constituem importantes espaços de
sociabilidade, solidariedade e entreajuda, mas não podem continuar a ser
olhadas com paternalismo enquanto os seus moradores se debatem com duríssimas
condições de vida.
As ilhas encontrando-se hoje genericamente
degradadas, com condições de habitação e salubridade que são inaceitáveis no
Porto dos nossos dias.
Construir
um Porto mais inclusivo, uma cidade onde todos têm um papel e um lugar e onde
ninguém é deixado para trás, passa por um político de coesão social e esta
passa também pela regeneração urbana, onde as ilhas devem constituir uma
prioridade.
A
intervenção nestes espaços, em que a sua maioria é privada, torna-se
indispensável uma articulação com a Câmara Municipal e definida uma estratégia
de intervenção profunda, com o objetivo de melhorar as condições de vida das
pessoas que aí residem.
A
existência de um programa específico para estes espaços habitacionais, á semelhança
dos criados para os bairros críticos, ganha particular relevância e prioridade.
A
regeneração urbana só faz sentido se for feita com e para as pessoas,
devolvendo o centro da cidade aos seus habitantes.
Assim, ao abrigo das disposições
constitucionais e regimentais aplicáveis, os Deputados do Partido Socialista
apresentam o seguinte Projeto de Resolução:
A Assembleia da República resolve,
nos termos do nº5 do artigo 166º da Constituição da República Portuguesa,
recomendar ao Governo:
1 – A criação com alocação de
fundos comunitários, de um programa especial para a requalificação e
regeneração das ilhas do Porto, executado em parceria com a Câmara Municipal do
Porto.
.
Palácio
de S. Bento, 17 de Março de 2014
Os Deputados
Renato Sampaio
Francisco Assis
António Braga
Isabel Santos
José Lello
Miranda Calha
André Figueiredo
Ana Paula Vitorino
Luisa Salgueiro
Glória Araújo
João Paulo Correia
Isabel Oneto
Fernando Jesus
José Magalhães
quinta-feira, 20 de março de 2014
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
Vértigo e Paixão...
O dia 24 de Novembro foi um momento de exaltação e de comunhão com as nossas «Ilhas», os nossos bairros e suas comunidades.
Pelas nove horas da manhã.
Lá estavam quase todos, na praça da Casa da Musica, símbolo da cidade renovada e estilizada. Máquinas na mão, casacos apertados que se fazia um frio miudinho que teimava em resistir a uma bela e doce manhã de sol a espreitar.
Entre a palavra, o café e o aperto de mão, um abraço ali e um beijo acolá. O bom dia ia rompendo para os lados da Boavista.
Estudantes, professores, profissionais de outras profissões, políticos, e amigos lá se preparam para este roteiro em prol da cidade, do direito à cidade e acima de tudo em defesa da qualidade de vida numa habitação que se quer digna e acolhedora para todos sem excepção.
Por entre as ruas de quarteirões onde o sol já espreitava, os gatos de mansinho lá acordavam numa preguiça sem pressas nem correrias.
As vozes, os caminhares, os olhares, os corpos entravam em corredores estreitos, com portas pequenas e diferenciadas. Umas de madeira, outras de chapa, umas a roçar a memória gasta dos tempos que lá passaram. As casitas encavalitadas na malha apertada dos muros de granito, abrem-se para o interior dos pátios e dos seus infinitos corredores mouriscos.
Nos telhados os gatos dançam uma espécie de luta territorial, pela posse dos seus micro-espaços, a partir dos quais controlam a ilha e avistam os intrusos.
Toda a manhã vai ser uma espécie de romaria, de visita às casas, falar com as pessoas que simpáticas nos abrem as portas dos pátios e das casas. Queixam-se das fragilidades da construção, as humidades, os espaços exíguos, a falta de obras nos telhados. O preço das rendas que já andam entre os 230 euros e os 450 euros. Uma situação insustentável atira-nos Amélia «Alí. Naquela casa, pagam 450 euros». E conclui «ficam aqui três meses e depois mais ninguém os vê».
As rendas novas como gostam de lhes chamar são caras para os jovens, e, inacessíveis para os velhos com reformas entre os 190 e 300 euros.
Outras há, onde as rendas são insignificantes.
D. Maria paga dois euros de uma renda antiga.Numa casa onde a senhoria deixou de fazer obras há décadas. É a dona Maria que faz as obras na cozinha, instalou o quarto de banho, restaurou o telhado, as canalizações novas, ligou o saneamento à rede pública. O problema é que na casa do lado, o abandono deu lugar à ruína. As infiltrações na sua casa são uma constante, destruindo-lhe a sua que com tanto gosto e custo lá foi arranjando.
As Ilhas são o reino da mulher espaço do género. São as mulheres que tratam do espaço interior e exterior. Arrumam, tratam dos vasos, dos gatos, dos cães e de todos bichos domésticos que por lá aparecem. E dos maridos também. Nenhum, mesmo nenhum animal é abandonado por estas mulheres que tratam os gatos vadios como seus, com direito a mimos, a comida, e, de vez em quando lá entram no interior da casa, para fazer umas festas à sua dona adoptiva.
No fundo. As Ilhas são assim, um espaço de dar e de hospedar quem chega. Não se faz diferenciação pela cor, pela raça, pelo credo, pela cultura ou formação. Espaço de liberdade, de fraternidade, onde todos se podem agrupar nos silêncios e nas partilhas.
Nas ilhas a musica toca alto, acorda-se tarde ao domingo, as pessoas tal como os gatos adoram o sol, a conversa nas esquinas das entradas, e teimam em continuar a viver nestes espaços pequenos mas carregados de poética e de memória. Onde o tempo é teimoso e demasiadamente humano.
Nestas ilhas respira-se cidade, património e identidades.
Os seus moradores mesmo vivendo em condições onde ainda faz falta qualidade de abrigo, de conforto material, de iluminação nos corredores estreitos, percebem as vantagens daqui viver.
Estão no centro da cidade, integrados e com boa vizinhança. O pouco trabalho que ainda vão aparecendo existe por estes lados. No apoio aos idosos que moram nos prédios ou em casas unifamiliares da vizinhança, nos cafés e restaurantes, nas pequenas oficinas, a dar horas em serviços domésticos e biscates. São homens e mulheres a dias, são biscateiros, mas a maioria é reformada pelas décadas de trabalho nas antigas industrias que por aqui foram nascendo, crescendo e morrendo. Já poucas aqui moram e muitas já que não existem.
Vamos encontrando moradores cada um com o seu próprio trajecto de vida. A sua antiga profissão confunde-se com a própria vida que a sociedade nunca lhes deu como deles.
Homens e mulheres, que cresceram demasiadamente depressa, a quem a sociedade e o regime do tempo lhes roubou a infância e lhes incutiu a moral do trabalho. Só conheceram o mundo do trabalho e o descanso do domingo, por entre os relatos do futebol, transmitidos pelo rádio e mais tarde com o direito ao sofá e à tv.
Mas, isso, foram luxos que o 25 de Abril lhes trouxe com muita paulada e fome à mistura.
Neste dia a Exma Câmara Municipal do Porto fez-se também representar, nos senhores vereadores da Habitação e Acção Social Dr Manuel Pizarro e do Urbanismo Prof. Arqto Correia Fernandes. Pela valorização das Ilhas e bairros populares do Porto.
Pela primeira vez a Exma Câmara liderada pelo Dr Rui Moreira, apresenta-se não para erradicar as ilhas e os bairros populares mas para lhes dar outra dignidade e outra qualidade.
Neste dia, não foram entaipadas casas, nem demolidas ilhas, nem deslocadas pessoas. Neste dia celebramos a comunidade e a vida nas ilhas e bairros populares.
Demos a conhecer a portugueses, mas também a italianos, franceses e brasileiros as nossas «Ilhas» e os nossos Bairros Populares. Num sentimento comum de afirmação do Direito à Habitação e à Cidade. Sem deslocação e sem realojamentos impostos a comunidades de direito.
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